Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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"Número de vagas do STJ não deve ser uma preocupação", aconselha especialista

Além de vacâncias no próprio STJ, o diferencial do concurso é o aproveitamento de aprovados por outros órgãos do Poder Judiciário

17/01/2018 09:11 | Atualização: 17/01/2018 10:29

Mariana Fernandes / Lorena Pacheco / Letícia Cotta* /

Monique Renne/CB/D.A Press
Apesar de o número de vagas imediatas oferecidas no novo concurso do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ser pequeno, os concurseiros não devem desanimar. De acordo com Vandré Amorim, analista judiciário da área judiciária do STJ e professor de direito administrativo e regimento interno do IMP Concursos, o órgão vai nomear centenas de aprovados.


“A carência de servidores é latente. Tendo como referência os últimos concursos, o número de vagas do edital não deve ser uma preocupação. No concurso de 2008 também foi assim e o número total de convocados se aproximou de mil. Bem como o fato de o concurso ter validade de dois anos, prorrogável por mais dois, e um número elevado de aposentadorias que vão acorrer nos próximos anos. Tudo isso gera mais expectativa de nomeações”, explica. Para ele, o maior número de convocações será para técnico área administrativa e analista área judiciária.

Além disso, um diferencial deste certame é o aproveitamento de aprovados para outros órgãos do Poder Judiciário. Fato que não foi autorizado no último concurso, realizado em 2015. “Órgãos como o Conselho da Justiça Federal e outros Tribunais do Distrito Federal são os que mais aproveitam estes aprovados. Então, haverá muitas oportunidades”, prevê.

Quem deseja garantir uma das vagas deve começar se preparar o quanto antes. Amorim acredita que, por se tratar de um concurso para Tribunal Superior, o nível das provas será mais difícil. Com isso, um conhecimento superficial não será suficiente.

O foco de cada candidato vai variar conforme o cargo pretendido. O professor explica que, para analista área administrativa, que exige formação superior em qualquer área, a parte de conhecimento específico (80 itens) será dívida apenas em três disciplinas, o que vai exigir um conhecimento mais vertical.  Já para o cargo de técnico administrativo, de nível médio, surgiram, neste edital, matérias jurídicas que não haviam sido cobradas nos concursos anteriores.

Divulgação
Professor Vandré Amorim, do IMP Concursos
Outro cargo que terá muito interesse dos candidatos será o de analista área judiciária, pois a carência do órgão é grande. Neste caso, o foco deve ser em torno da jurisprudência do próprio STJ, como também a do STF.

As novidades deste edital também merecem atenção do candidato. Neste certame, serão cobrados 40 itens de conteúdo básico e 80 de especifico.  No concurso anterior foram 50 de básico e 70 de específico. “Essa é uma diferença importantíssima, pois o foco do candidato deve levar isso em consideração. O estudo deve ser pautado muito nisso”, explica Amorim.

Outra diferença foi destacada na avaliação discursiva, que vai valer 40 pontos e vai cobrar conteúdos específicos de nível superior e atualidades para o nível médio.  Além disso, merece atenção o conteúdo jurídico que veio em maior quantidade para técnico área administrativa.

Saiba mais em: STJ se justifica por não oferecer muitas vagas em novo concurso público 

Expectativa

Ana Carneiro/Esp. CB/D.A Press
Maria Gabriel Pithon e Samuel Santos serão candidatos do concurso
A divulgação do edital foi um alívio para Samuel Paulino, 27 anos, que é formado em direito e sempre sonhou com a segurança profissional do pai, servidor público. Seu sonho é atuar nos tribunais federais e há tempos se prepara para isso. A maior preocupação de Paulino, entretanto, não é o conteúdo exigido, mas o emocional. “Um amigo me disse e eu concordo: 50% do processo em um concurso é emocional. Se você estuda muito, se sente pressionado, muitas vezes não rende o esperado.”

Maria Gabriel Pitton, 26, é formada em letras, mas não descarta concorrer a uma vaga na área administrativa do STJ, apesar de ter como objetivo passar em um concurso para o Ministério Público da União (MPU). Ela tem consciência que em sua área de formação terá de trabalhar três turnos para ganhar o suficiente para viver, e uma carreira no serviço público pode ser a solução.

O concurso

O edital do STJ ofereceu cinco vagas imediatas e cadastro reserva para técnicos e analistas. Os salários vão de R$ 6.708,53 a R$ 11.006,82, respectivamente. O Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe) é o responsável pela seleção.

Quem tem nível superior em qualquer curso pode concorrer à área administrativa; formados em direito, por sua vez, podem concorrer tanto à área judiciária (detentora exclusiva das chances imediatas) quanto ao cargo de oficial de justiça avaliador federal. Há ainda chances para formados em biblioteconomia, fisioterapia, odontologia (nas especialidades em odontopediatria e periodontia) e psicologia. Já candidatos com nível médio podem optar pelas áreas administrativa, de desenvolvimento de sistemas, enfermagem, suporte técnico e telecomunicações e eletricidade. Saiba mais em: STJ abre concurso público com salários de R$ 6 mil a R$ 11 mil

E mais: Após fraudes em concursos organizados pelo Cebraspe, STJ prioriza segurança


* Estagiária sob supervisão de Rozane Oliveira

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