Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Com expectativa de extensão da PEC da Bengala, concursos atraem mais "sessentões"

Pessoas na faixa dos 60 concorrem a cargos públicos para complementar renda ou se manter em atividade

03/08/2015 10:09 | Atualização: 03/08/2015 10:31

Vera Batista

André Violatti/Esp. CB/D.A Press
Dulce Mendes de Morais, que estava aposentada, depois de 25 anos no Banco do Brasil e dois na Petrobras, passou no certame do TJDFT há seis anos
Um grupo diferente começa a buscar os concursos públicos. São pessoas na faixa dos 60 anos, aposentadas ou não, que querem complementação da renda ou destaque nas funções em que atuam. Segundo Maria Thereza Sombra, presidente da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac), a crise econômica e a elevação dos índices de desemprego são os principais responsáveis pela mudança de comportamento. Essa demanda recente de sexagenários vai ficar mais evidente a partir do fim do segundo semestre, disse, porque este ano grande parte das seleções ainda serão autorizadas pelo Ministério do Planejamento.

“A procura pela estabilidade aumenta junto com a faixa etária. De certa forma, é um grande problema, porque está atrelada a questões financeiras. Quando os mais velhos começam a se dar conta de que o orçamento está sendo corroído pela inflação e fica cada dia mais apertado, acabam achando que vale a pena o sacrifício extra”, disse. Se a PEC da Bengala para todos os servidores públicos da União, dos estados e municípios for aprovada, a concorrência tende a ficar ainda maior, já que a aposentadoria do funcionalismo passará de 70 para 75 anos.

Vale a pena lembrar, diz Maria Thereza, que 345 mil postos de trabalho foram fechados na iniciativa privada no primeiro semestre de 2015, sendo 111.199 apenas em junho. Enquanto, no mesmo período, em 2014, foram criadas 558.671 vagas. “Nesse ritmo, a expectativa é de que perderemos 1,2 milhão de empregos esse ano. Ou seja, todos terão que contribuir com as despesas. Os mais velhos precisam preencher a lacuna financeira dos parentes demitidos. Às vezes, sentem-se até culpados por não fazer nada enquanto os outros se esforçam”, assinalou. Outra novidade, disse ela, é o formato de aprendizado escolhido pelas antigas gerações.

“Não estão nos cursos preparatórios tradicionais. Quase todos optaram pelo estudo on-line. Por isso, é difícil mensurar quantos são e determinar com clareza onde moram e a classe social deles. Só depois de aprovados e convocados é que poderemos ter um levantamento confiável”, destacou. De acordo com Washington Barbosa, professor de direito administrativo e empresarial e coordenador do Instituto de Capacitação Avançada (ICA) — curso on-line criado recentemente —, mesmo com o percentual baixo ante inscritos de outras faixas etárias, houve uma procura maior de pessoas com mais idade. No ICA, de acordo com ele, 47% dos inscritos em todo o país estão entre 25 e 35 anos, 5% têm acima dos 55 anos e 1%, de 65. Esses últimos representam 7,5 mil estudantes.

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