Sem concursados suficientes e com contratos temporários chegando ao fim, UPA's do DF atendem menos
Hoje, as Unidades de Pronto Atendimento atendem apenas 34% da demanda de pacientes
02/09/2015 10:43
Otávio Augusto
Unidade em Sobradinho pode fechar as portas
As cenas de abandono se repetem nas seis Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do Distrito Federal. Instaladas em 2010, elas deveriam otimizar a saúde pública. Porém, passados cinco anos, apenas 34% da demanda é atendida. E o cenário deve piorar. O contrato dos profissionais temporários termina em um mês, e o governo não pode renovar o serviço por impedimento do Tribunal de Contas do DF. É cena comum ver pacientes sendo mandados de volta para casa. Para o Ministério da Saúde, 97% dos casos ligados à saúde poderiam ser solucionados nas UPAs, o que desafogaria as emergências dos hospitais. Por mês, o GDF recebe R$ 1,7 milhão do governo federal para garantir o atendimento.
A falta de profissionais pode, inclusive, obrigar o GDF a fechar as portas da UPA de Sobradinho — a mais recente do sistema, inaugurada há um ano. Até 18 de setembro, médicos, enfermeiros e auxiliares técnicos deixarão de atuar na rede pública. Atualmente, apenas 19 profissionais (8%) dos 246 daquela unidade são concursados. Um servidor, que pediu para não ser identificado, disse que a decisão foi divulgada no início da semana. “Comunicaram que não vão renovar o contrato e, como o quadro de funcionários (concursados) é pequeno, não tem como viabilizar o atendimento. As dispensas começaram na semana passada. Oito médicos foram mandados embora”, revelou.
Distante 24km do centro de Brasília, a comunidade daquela região está organizando um protesto contra o fechamento da unidade. Luzinete Bezerra, 49 anos, ganha a vida vendendo lanches em frente à UPA. Segundo a mulher, o fluxo de pacientes é intenso o dia todo. “As pessoas precisam desse serviço. O hospital não atende, e esse é o único recurso que temos. Conheço gente que vem de outras cidades procurar atendimento aqui. Se o governo optar por fechar, será uma grande perda”, reclama.
"Meu pai só recebe cuidados paliativos. O médico disse que ninguém pode ficar mais de 12 horas aqui porque não existe estrutura para internação em UPA", diz Senira Lacerda, aposentada
Desde o nascimento da filha, Laura, de 9 meses, Larissa Estácio, 19, leva a criança para ser atendida no local. A última visita ao médico ocorreu por problemas respiratórios. “O serviço é péssimo. Os médicos são ótimos, mas eles não têm condições de atender tanta gente. Já vi briga, com agressão, aqui. Se o governo fechar, é a prova de que eles não têm competência para resolver o problema. Está ruim, mas o povo precisa do atendimento”, ressalta.
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