Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Primeiro colocado da Anvisa largou emprego para se dedicar aos estudos

Após série de reprovações e do cancelamento da prova, Bruno José Santos relata como conseguiu a classificação e aconselha os candidatos do novo concurso da autarquia, que será lançado até outubro deste ano

21/06/2016 16:43 | Atualização: 21/06/2016 17:04

Lorena Pacheco

Arquivo pessoal
Bruno José Santos estava confiante que passaria no concurso público da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), lançado há três anos, em março de 2013. O que ele não esperava é que seria o primeiro da lista de aprovados, que continha nada menos que 22.205 candidatos as 28 vagas abertas pelo edital – concorrência média de 793 inscritos por oportunidade. Todos querendo ser técnicos administrativos da autarquia, cargo com salário inicial de R$ 4.760,18.

Como é de se imaginar, conseguir a classificação não foi fácil. Bruno teve que largar o emprego como atacadista para se dedicar aos estudos. Foi preciso se virar com o seguro-desemprego e a ajuda dos pais durante um ano de preparação até que fosse chamado para tomar posse em fevereiro de 2014.

A coragem para abandonar o trabalho na iniciativa privada veio de uma aprovação para o cadastro reserva no Ministério da Fazenda. O resultado veio após três meses frequentando cursinho preparatório de matérias básicas. Ele não assumiu o cargo, mas a confirmação de que seus esforços seriam compensados foi o gás que precisava para se dedicar de vez mais aos concursos.

O trajeto, porém, não foi só alegria. Bruno reprovou nas seleções da Defensoria Pública da União, do Conselho Nacional de Justiça e do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios. Sem desanimar, estava estudando para o Ministério Público da União, quando foi pego de surpresa com o lançamento do edital da Anvisa e começou a se dedicar com foco na seleção só após a divulgação do regulamento. Teve pouco mais de dois meses para isso.

Para o candidato, a disciplina de raciocínio lógico foi definitivamente a mais difícil e por isso a que recebeu mais empenho. Apesar disso, Bruno tentou estudar todas as matérias de forma equilibrada, de acordo com seu próprio cronograma, que levou em consideração o peso das questões - as que mais pontuavam eram as disciplinas específicas, sobre a legislação da Anvisa e a criação dos cargos da agência.

A redação, por sua vez, nunca foi o forte de Bruno. Segundo ele, apesar de ter conseguido 39 dos 40 pontos da etapa, não praticou muito a escrita por que não tinha quem corrigisse seus textos e resolveu fazer apenas um curso de técnicas de redação pela internet. O foco era mesmo o exame objetivo.

Bruno sabia que tinha se saído bem, entretanto, a etapa mais difícil de todo o concurso ainda estava por vir. A aplicação das provas foi marcada por muito tumulto. Em um dos locais de prova em Brasília, por exemplo, os fiscais distribuíram os cadernos com atraso, dezenas de pessoas não receberam a prova ou a receberam com o lacre do envelope violado. Os candidatos prejudicados pediram o cancelamento do certame e fizeram denúncias contra o Instituto Cetro, além de registrarem ocorrência na 1ª Delegacia de Polícia Civil. Na época, a PCDF informou que o caso seria levado para investigação da Polícia Federal. Até a Polícia Militar foi chamada para conter os mais exaltados.

O resultado, para o desespero dos milhares de concorrentes, foi o cancelamento da prova. O medo da suspensão do concurso e a decepção tomaram conta do candidato. “Pensei: ‘bola pra frente’, e tinha como plano B continuar estudando até aparecer um novo edital bom”.

Mas, para o alívio do concurseiro, os exames foram remarcados para dois meses depois – segundo o diretor/presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, os candidatos que quebraram as regras do edital seriam excluídos (houve quem usou o celular para tirar fotos da prova) e banca continuaria a mesma. Apesar de tudo, não deu outra: Bruno fez a prova novamente e, para não restar dúvidas, ainda conseguiu passar em primeiro.

O concurso foi homologado em dezembro de 2013 e, nesse meio tempo, Bruno conseguiu ser aprovado no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), onde trabalhou por quatro meses enquanto aguardava ser chamado pela Anvisa.

De lá pra cá se formou em gestão pública, para poder concorrer em concursos de nível superior, e agora o foco é a Receita Federal. “Quero ser auditor, que é um cargo que exige formação em qualquer área e o salário é maior. Se conseguir me aposento por lá. Para tanto, continuo estudando por conta própria, revisando meu material e pegando informações na internet – compartilho muito do que aprendi no FórumCW. Mas, por enquanto, estou satisfeito na Anvisa, é um ambiente de trabalho muito bom, tanto que vou prestar o novo concurso autorizado para autarquia, só que desta vez para analista”.

Ele acredita que o Cespe será a banca da nova seleção, mas, independente da examinadora, aconselha que os candidatos se preparem com garra. “Será um concurso de nível elevado, pois os candidatos estão se preparando com antecedência, muitos deles já são servidores da própria agência, como eu. Acredito que a concorrência será mais acirrada, por conta da oferta maior de vagas”, aconselha.

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