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Grupo que fraudou Enem e concursos recebia até R$ 90 mil por vaga em medicina

A Polícia Federal fez buscas em três estados em investigação de fraude no Enem e em concursos públicos no país. Na ação criminosa, grupo violava lacres de provas e usava ponto eletrônico para passar gabaritos do Enem e de concursos

08/11/2017 13:27 | Atualização: 08/11/2017 13:40

Jacqueline Saraiva

Helio Montferre/Esp. CB/D.A Press - 3/12/16
PF investiga fraudes no Enem de 2016 e 2017 e em concursos públicos
A quadrilha alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) nesta quarta-feira (8/11) cobrava até R$ 90 mil por um gabarito de prova para que um candidato conseguisse ingressar em um dos cursos mais cobiçados nas faculdades, o de medicina. O esquema desarticulado pela Operação Adinamia - nome que faz uma alusão à fraqueza moral - fraudava provas de concursos públicos e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A suspeita é que a quadrilha tenha fraudado as provas do Enem dos anos de 2016 e 2017. No total, foram cumpridos 36 mandados em seis cidades no Ceará e nos estados do Piauí e Paraíba. 

Do total de ordens judiciais, 4 foram de prisões preventivas, 11 de condução coercitiva, quando a pessoa é levada à força para depor, e 21 de busca e apreensão nas cidades cearenses de Fortaleza, Juazeiro, Barbalha, Mauriti, Abaiara e Lavras da Mangabeira. Na Paraíba, agentes cumpriram ordens em São José de Piranhas e Cajazeiras. Houve buscas também em Teresina (PI). Até por volta das 13h, a PF ainda não havia divulgado o número de prisões efetuadas.

A PF e o Ministério Público destacaram o modo contumaz como a quadrilha agia. Para fraudar os processos seletivos, os criminosos violavam os lacres dos envelopes para ter acesso às provas do Enem e de concursos antes mesmo de eles serem realizados. Candidatos também eram inscritos nos processos para passar as respostas das provas por meio de pontos eletrônicos. "O curso de medicina é o principal alvo das fraudes e também o mais caro, sendo pago em torno de R$ 90 mil, por vaga", afirmou a PF em nota. Segundo a investigação, metade do valor era pago pelo candidato antes do certame e metade depois de garantida a vaga. Ainda não foi estimado o valor que os criminosos teriam arrecadado até agora.

O objetivo principal da operação de hoje é a coleta de provas dos delitos cometidos que comprovem as fraudes aos processos seletivos e concursos públicos. Além de fraude, eles os investigados podem responder á Justiça por organização criminosa e lavagem de dinheiro. As penas preveem prisão de 1 a 4 anos, 3 a 8 anos e 3 a 10 anos de prisão, respectivamente, e multas.


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