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Privatizações de estatais podem ampliar a crise, dizem especialistas do setor energético

Segundo os especialistas, as empresas que estão comprando as companhias brasileiras reduzem os investimentos, cortam o número de empregados e transferem os lucros para o exterior

07/11/2017 16:45 | Atualização: 07/11/2017 16:55

Da Agência Senado

Pedro França/Agência Senado
O senador Lindbergh Farias (PT/RJ) afirmou que entrará na justiça contra a privatização do sistema energético brasileiro
Uma série de pesquisadores, técnicos, empregados e parlamentares participaram da audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), e listaram as consequências que a continuidade do programa de privatizações de setores da Petrobrás e da Eletrobrás, as duas maiores estatais brasileiras.  


Segundo os especialistas, as empresas que estão comprando as companhias brasileiras reduzem os investimentos, cortam o número de empregados e transferem os lucros para o exterior. O senador Roberto Requião (PMDB/PR) afirmou que o país está regredindo. “Isso é uma regressão absoluta do processo de desenvolvimento econômico. O desenvolvimento só existe com o domínio das fontes de energia, do petróleo, da energia elétrica”.

Nelson Hubner, ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pesquisador da UFRJ, afirmou que o programa de privatizações causará racionamento de energia e explosão de preços. “Com a venda da eletrobrás, eu não tenho dúvida nenhuma que daqui a cinco anos a gente vai estar de volta aqui na CAE para discutir as consequências de racionamento e explosão dos preços de energia no Brasil”. O deputado Arlindo Chinaglia (PT/SP), lembrou que não há opção para o consumidor comprar eletricidade de outro fornecedor. “No caso específico do setor elétrico, existe o chamado monopólio natural, pode no máximo haver disputas em leilões de empresas públicas e privadas, mas ninguém tem dois interruptores em casa pra escolher qual é a empresa que vai fornecer energia elétrica”.

Leia também: Apesar da crise e corte de gastos, setor público contratou 240 mil em um ano

As poucas empresas que controlam 40% dos ativos das empresas multinacionais são empresas do setor financeiro. Então ocorre um processo de transferência do controle do sistema produtivo mundial para o sistema financeiro, é o que afirma Clemente Ganz Lúcio do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O senador Lindbergh Farias (PT/RJ) afirmou que entrará na justiça contra a privatização do sistema energético brasileiro.

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