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Mesmo com crise, alguns servidores ainda veem vantagens no serviço público

Mulheres são responsáveis pela queda na idade dos servidores federais e pela melhor formação, apesar de continuarem em menor número nos ministérios. População reclama do atendimento, e funcionários se queixam do salário

28/10/2015 09:28

Vera Batista/ Mariana Areias - Especial para o Correio /

Os servidores estão mais jovens e escolarizados, mas as desigualdades continuam no serviço público federal. A presidente Dilma, primeira mulher a ocupar o Palácio do Planalto, não foi capaz de elevar a presença feminina na Esplanada, uma de suas promessas de campanha. Até o fim do ano passado, dos quase 600 mil servidores ativos, apenas 263 mil eram mulheres, 46%. Em apenas seis ministérios elas eram maioria: Ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (60%), Saúde (58%), Previdência Social (55%), Turismo (54%) e Cultura (51%), segundo pesquisa da Escola Nacional de Administração Pública (Enap). Mesmo em quantidade reduzida, foram elas que derrubaram a idade média dos servidores.

Em 2005, de acordo com o Ministério do Planejamento, a idade média total entre os ativos era de 46 anos (resultado de 46 anos entre os homens e 45 anos entre as mulheres). Em 2015, caiu para 45 anos, porque o público feminino entrou mais jovem e baixou a média específica para 44 anos (o masculino se manteve). Outro dado oficial interessante é o de que não há mais analfabetos no serviço público. Há 10 anos, havia 34 analfabetos, 8.141 alfabetizados em cursos regulares e 32.196 com ensino fundamental incompleto. Hoje, o nível de escolaridade começa no ensino básico (30.182 pessoas). Apesar dos resultados favoráveis ao longo da gestão petista, a presidente vem perdendo o apoio do funcionalismo.

 

Embate
No Dia do Servidor Público, comemorado hoje, há pouco a festejar, destacam os trabalhadores que, insatisfeitos, travam um embate com o Executivo por reposição das perdas inflacionárias e valorização de carreira, entre outras pautas históricas. Várias categorias estão em greve. Cresce a cada dia o número de manifestações e atos de protesto. “As coisas não saíram como esperávamos. Continuaremos atentos para não perder direitos. Mas também não podemos dizer que não houve avanços, embora insuficientes. Conseguimos um espaço de diálogo e algumas concessões que antes sequer eram cogitadas”, lembrou Sérgio Ronaldo da Silva, secretário-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef).

Minervino Junior/CB/D.A Press
Orgulho de servir
Natália Fernandes, 25 anos, é concursada do Ministério das Comunicações há seis anos. O que a motivou a ingressar no setor público foi o fato de ter sido mãe muito nova e a responsabilidade ter batido à porta. “Eu não ganho o salário dos meus sonhos, mas a minha estabilidade profissional não troco por nada. É o que me motiva todos os dias”, afirma. Para a funcionária, a grande dificuldade do setor é convencer a sociedade de que o trabalho é feito sempre de maneira a agradar a população. “O povo tem uma visão deturpada, o que causa certa frustração para nós”, avalia. Natália está satisfeita com a profissão e pretende prestar outros concursos visando melhores salários.“O servidor público é alguém que se doa pelo Estado e eu gosto de ter essa função”, afirma.

Minervino Junior/CB/D.A Press
Marcio Antônio, 53 anos, é servidor do Ministério das Comunicações e lida com pessoas todos os dias. “Eu me sinto útil em servir ao público. Encaro isso como minha principal incumbência”. Além de ser apaixonado pelo que faz, Marco Antônio se orgulha em ter escolhido a profissão que exerce há 26 anos. “A única desvantagem para mim é o salário, pois não consigo fazer uma boa poupança. Mesmo assim, me sinto bem no lugar que escolhi”, afirma. Marco Antônio lamenta o fato de os funcionários públicos não serem sempre bem interpretados pela população. “Acham que somos acomodados e não é bem assim. Eu faço meu serviço com muita responsabilidade e comprometimento, além de quase sempre fazer mais do que me é solicitado”.

Minervino Junior/CB/D.A Press
Antônio Linhares, 34 anos, servidor do Ministério da Fazenda, considera que estabilidade é a maior vantagem da classe. “Em tempos de crise, estão todos com medo de perder o emprego e nós não sofremos com essa situação”, avalia. Para ele, a qualidade de trabalho no setor público é muito melhor. “Temos uma carga horária semanal bem definida, o que facilita a vida pessoal também”, analisa. Segundo Linhares, para ser um bom profissional da área é necessário gostar de servir e de estar em contato com pessoas, o tempo inteiro. “Eu gosto disso e eu me adapto bem à rotina de trabalho”, afirma. Antônio analisa que ganharia três vezes mais se trabalhasse no setor privado, mas prefere ser um empregado público e viver todas as vantagens que a profissão oferece.

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