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Defensor público conta como conseguiu conquistar cargo com salário de R$ 21 mil

Gerson Aragão estudou por seis anos até chegar a um dos postos que melhor recebem no funcionalismo público

28/10/2015 15:53 | Atualização: 28/10/2015 16:09

Agência Estado

Reprodução/Facebook
Perseverança. Essa é a palavra que resume a história do sergipano Gerson Aragão, 33 anos, ao longo de nove anos de estudo para concursos públicos. Enquanto muitos parariam no primeiro obstáculo, ele continuou a lutar para conquistar seu sonho até algo inesperado acontecer em sua vida.

Com 19 anos, Gerson Aragão passou no vestibular para o curso de Direito em uma Universidade particular de Sergipe. "Meu pai vem de família pobre do interior do Estado de Sergipe. Ele enfrentou obstáculos e mudou-se para a capital para concretizar o sonho de ser médico. Conheceu minha mãe na faculdade e hoje os dois são concursados. Eles me ensinaram que a única forma de progredir na vida é através do estudo. Essa foi minha maior motivação", conta.

Apesar de hoje ter a maturidade para reconhecer os ensinamentos dos pais, o jovem não levava o curso de Direito muito a sério. Ele lembra que não deu o mesmo valor aos estudos que seus pais deram.

"Já estava com 24 anos, não tinha trabalho e nenhuma perspectiva na área jurídica, entrei em conflito interno e foi aí que percebi que precisava dar um rumo em minha vida. O primeiro concurso que apareceu eu fiz: técnico do Tribunal de Justiça de Sergipe, em 2004, com remuneração de um pouco mais de um salário mínimo", revela Gerson.

"Exerci por um ano e meio o cargo de técnico do TJ, mas não era o que queria. Acreditei que deveria continuar estudando e tentando para cargos melhores, desta vez, para nível superior. Fiz, então, todos os concursos que apareciam, independente da área. Mas reprovei em todos que fazia", explica

Dificuldades

Gerson tomou a decisão de pedir exoneração para dedicar-se apenas aos estudos. "Eu tive todo o apoio de minha família nesta decisão, até porque eu ganhava em torno de um salário mínimo", lembra.

Apesar de ter abdicado de sua carreira no Tribunal de Justiça para dedicar-se por mais horas aos estudos, Gerson continuava a reprovar nos concursos que fazia. Já tinha feito cinco certames em um ano e meio, mas as dificuldades só aumentavam.

"Eu queria passar nos cargos para analista, juiz, promotor, procurador ou defensor. Mas, apesar de me esforçar tanto, eu não obtinha absolutamente nenhum resultado. Foi aí que comecei a perceber que apenas estudar não era o caminho para passar em concurso! Eu teria que pensar em uma estratégia", recorda.

Método de estudo

Após sucessivos fracassos, o concurseiro iniciou a elaboração de estratégias para o seu estudo. "Como eu havia me formado em direito e não tinha feito a prova da OAB, foi através dela que coloquei em prática pela primeira vez um método de estudo. Comecei a analisar a prova, a banca e a instituição. Na época isso não era nada comum. Fiz 80% da prova, que era do Cespe, conhecida nacionalmente pela dificuldade, e passei com boa pontuação", conta.

O concurseiro teve mais um importante sinal de que a estratégia de estudo que ele estava desenvolvendo seria o caminho para alcançar o sucesso que almejava. "Logo depois da prova da OAB, passei no concurso para analista do Ministério Público de Sergipe, em 10º colocação. Estava claro para mim a importância de se ser estratégico e ter um método para estudar para concurso", afirma.

Em 2009, Gerson assumiu o cargo de analista do Ministério Público, desta vez ganhando um pouco melhor. Havia passado cinco anos desde o primeiro concurso, mas ele não se acomodou. Tinha consigo a certeza de que precisava continuar a trilhar o seu caminho de concurseiro, aperfeiçoando suas técnicas de estudo.
"Seis meses após o último certame, veio a notícia de que passei no concurso para o cargo de analista do Tribunal de Justiça, em 31º colocado", conta.

Novas estratégias
Gerson ainda não estava satisfeito com a carreira pública que havia conquistado e foi aí que decidiu montar estratégias ainda mais elaboradas. "Eu me dei conta de que não dava para estudar para todos os concursos que surgiam. Decidi definir o cargo que eu queria exercer e foi nesta época que foquei em fazer concurso apenas para defensor público. Eu já tinha excelente estratégia estudos que envolvia um edital sintetizado, resumo por palavras-chaves e revisão semanal", pontua.

Em 2010, toda a estratégia de estudo de Gerson foi voltada para o cargo de defensor público. Foi então que tentou o concurso para Defensoria Pública de Alagoas. Chegou perto, mas foi reprovado na prova prática de direito civil. Logo em seguida, fez para a Defensoria Pública da Bahia.

"Resolvi elaborar estratégias ainda mais avançadas porque eu já sabia que estava no caminho certo, faltava pouco para eu chegar lá. Fiz uma análise avançada sobre como fazer uma prova prática. Estava muito confiante. Foram seis meses de prova para a Defensoria da Bahia e passei a focar em métodos para a 2º fase do concurso. Apliquei todas eles e tive a alegria de passar", comemora.

Do primeiro concurso em 2004 em que ganhava pouco mais de um salário mínimo, para o de 2010 que passaria a ganhar R$ 21 mil reais, Gerson estava finalmente satisfeito, e decidiu fechar os livros e aguardar a convocação, já que, desta vez, havia conquistado seu objetivo.

"Tinham mais vagas do que aprovados e a Defensoria da Bahia tinha quatro anos para me chamar. Esperei a convocação e resolvi não mais estudar para concursos. Dei um basta", conta.

O inesperado

Estabilidade que o serviço público oferece e uma confortável situação financeira estava garantida. O que Gerson não esperava é que tudo mudaria e que sua vida como futuro Defensor Público da Bahia daria uma reviravolta.

Já em meados de 2012 surgiu o concurso para a Defensoria Pública de Sergipe, onde nascera e estava toda a sua família. "Eu estava há mais de um ano sem estudar, mas era uma chance de estar perto das pessoas que sempre me apoiaram. Peguei todas as minhas estratégias, já devidamente bem estruturadas, apliquei no concurso da Defensoria de Sergipe e passei. Fiquei em 40º colocação", diz.

Gerson tomou posse como Defensor Público na Bahia, mas, para sua surpresa, também foi convocado para o concurso de Sergipe que tinha a remuneração inferior. O que ele faria? Teria que escolher entre ganhar mais ou ter a satisfação de trabalhar na sua terra natal. "Decidi pedir exoneração na Bahia e ficar em meu Estado. Dinheiro é importante, mas vi que não é tudo. Quero ficar perto de minha família e assumir o cargo que almejei", garante.

A família de Gerson foi a principal motivação para iniciar sua trajetória de estudos e ingresso na carreira pública. Mas foi exatamente ela o motivo para ele fazer a difícil escolha entre ganhar mais ou estar perto dela. Dinheiro não é tudo, como afirmou o ex-concurseiro, hoje Defensor Público, mas garra, confiança e boas estratégias, certamente são substanciais.

Hoje Gerson ainda ensina as estratégias que descobriu ao longo dos anos em um Livro Digital, que pode ser solicitado de forma gratuita pelo site www metododeaprovacao.com.br.

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