Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Redes sociais passam de vilãs da distração a ferramentas valiosas para concurseiros

Grupos de candidatos no Facebook e Whatsapp servem para tirar dúvidas, se atualizar e ainda fazer amizades

04/12/2015 09:00 | Atualização: 02/12/2015 14:53

Do CorreioWeb

Reprodução/Internet
Vida de concurseiro não é fácil, nós sabemos. Vira rotina recusar convite para festas, deixar de ir à reunião de família ou àquele show no fim de semana. Mas como resistir a dar aquela olhadela “rápida” no Facebook, Twitter e Instagram quando é só tirar o celular no bolso? E quando você esquece de silenciar o Whatsapp e escuta aquele assobio de nova notificação? É no mínimo complicado. Mas, apesar de serem apontadas como as grandes vilãs da distração, cada vez mais as redes sociais estão sendo vistas como ferramenta estratégica de estudo pelos concurseiros mais antenados, já que favorecem um aprendizado rápido e dinâmico. O resultado é a melhor assimilação do conteúdo e maior rendimento nas provas.

Para muito além do entretenimento, pesquisadores da área acreditam que o uso dessas redes pode surtir efeitos positivos e proporcionar bons resultados nos concursos, quando empregados com esse objetivo. Como afirma Gilberto Lacerda, especialista em mídias sociais da Universidade de Brasília (UnB). “Os concurseiros devem buscar dispositivos que ajudam nas estratégias de estudos. E se existem ferramentas para isso, sem dúvidas, elas podem contribuir na hora da preparação para as provas”, recomendou.

No Facebook, por exemplo, os grupos de concurseiros têm números significativos de membros. Páginas como “Concurseiros 2.0“ e “Concursos Públicos (oficial)” contam com quase 400 mil integrantes que compartilham informações entre si. Segundo Rafael Chaves, administrador de um desses grupos, “o principal intuito é unir pessoas com o mesmo objetivo, ou seja, passar em um concurso público. O Facebook é um meio de veicular informações gratuitas com grande alcance”, analisou.

Camila Milhemomem foi aprovada há um ano e meio no concurso da Câmara dos Deputados. Ela usou as mídias sociais para aperfeiçoar sua maneira de estudar, já que constantemente sentia necessidade de esclarecer dúvidas e de adquirir materiais para os estudos de forma instantânea. “Qualquer dúvida eu falava diretamente com o meu professor pelo Whatsapp. É uma ferramenta com respostas imediatas. Dá resultados”, assegura a concursada.

E não se trata só de uma iniciativa dos alunos. Por propor maior interatividade e rapidez de comunicação, professores de cursinhos preparatórios passaram a integrar os estudos com a tecnologia. A partir de grupos criados nessas plataformas, eles dão dicas e, juntamente aos concurseiros, trocam materiais e compartilham resoluções de questões.

Um das razões que estimula os concurseiros a fazer parte dessas comunidades é a troca rápida de informações, que podem ser acessadas de qualquer lugar, basta ter um aparelho conectado à internet. “Às vezes o aluno está estudando em casa, no ônibus durante o engarrafamento ou mesmo na fila do supermercado. Com grupos no Whatsapp ou publicações no Facebook e Instagram, na mesma hora ele pode esclarecer as dúvidas”, explicou Mariana Cassel, professora de cursinho preparatório.

A dinâmica nas plataformas é diversificada. Cassel, por exemplo, costuma realizar quizzes nos grupos do Whatsapp, em que os alunos respondem simultaneamente e debatem juntos sobre o tema por ela proposto, além de outros assuntos que surgem ao longo da conversa. Postagens de vídeoaulas, links de artigos e dicas rápidas com orientações para as provas também são um dos auxílios que os consultores propõem aos concurseiros. “Utilizo bastante esse método para interagir com meus alunos, passo palavras de incentivo, links interessantes. Também fotografo questões importantes para os alunos pensarem nas respostas. Uso todas as ferramentas que contribuem para a interação”, disse a consultora, que também usa o Instagram para postar vídeos breves em que ela mesma dá dicas e alertas sobre novidades dos concursos.

A funcionária pública Mayra Boldrin, se dedica há pouco mais de quatro anos para seleções públicas. Ela conta que, após adotar essa estratégia de estudo, o rendimento nas provas melhoraram. “Meu percentual de acertos nas provas aumentou depois do uso dos aplicativos. Eu fiz uma prova após essa utilização e meu rendimento melhorou bastante. Senti que os estudos ficaram mais sedimentados devido à rapidez dos esclarecimentos das dúvidas”, apontou.

Além dos grupos do Facebook, Mayra também usa o Whatsapp para se comunicar individualmente com o professor e receber orientações mais direcionadas. A ajuda é eficaz. “O professor tira todas as minhas dúvidas instantaneamente. Ele também me indica materiais e livros, além de compartilhar planilhas de estudos. E, ao longo das orientações, ele dá o retorno do meu aprendizado”.

Vantagens x desvantagens

Especialistas apontaram, ao Correio, que o Facebook é o primeiro na lista das plataformas mais recomendadas para ter dicas de preparação, devido a sua multifuncionalidade e organização: não há limite de tempo para publicação dos vídeos; os assuntos nos grupos ficam separados por posts na timeline, o que direciona ainda mais a conversa; há como ‘subir’ (fazer upload) de documentos e deixá-los disponíveis para consulta em uma pasta separada; existe ainda uma pasta para fotos e vídeos, o que facilita a busca, e outra para criação de eventos, caso algum membro queira marcar uma tarde de estudos na biblioteca, por exemplo.

Até para achar um grupo de estudos específico para seu concurso é mais fácil. Basta digitar no buscador palavras-chave como ‘concurso’ ou ‘concurseiro’, ou ainda o nome do órgão que abriu a seleção. Vale destacar ainda que o Facebook disponibiliza um bate-papo para os usuários, para uma conversa mais reservada e instantânea, também com compartilhamento de vídeos e arquivos. É necessário enfatizar que, para fazer parte dos grupos, deve-se solicitar entrada ao administrador.

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Mas, com todas essas possibilidades, há quem use o Facebook para fins errados. Segundo os especialistas, existem perfis falsos de professores que usam grupos para repassar conteúdos exclusivos da página para outras comunidades, ou ainda postam materiais antigos para prejudicar os concorrentes. Por isso é preciso ter atenção e, em caso de dúvidas, usar as redes para esclarecer mal entendidos.

O Whatsapp não fica pra atrás. Graças à possibilidade de livre debate, essa plataforma também é uma das mais utilizadas pelos concurseiros e ideal para discussões acaloradas ou para tirar dúvidas rápidas. O app ainda não oferece o compartilhamento de arquivos de texto, mas aqui é o diálogo que predomina entre os usuários, e de forma contínua, numa espécie de timeline “infinita”. Para facilitar a fluidez da conversa, o texto pode ser tanto escrito quanto falado, já que há opção de o usuário gravar um áudio dentro do aplicativo e já compartilhá-lo no grupo. Fotos e vídeos também podem ser capturados e disponibilizados durante a conversa.

A rede de mensagens instantâneas também não oferece aos usuários um banco de grupos que possa ser encontrados com um buscador. Para participar é preciso conhecer um dos membros para que ele adicione seu número de celular, caso seja administrador, o que limita o acesso - para facilitar o agrupamento dos concurseiros, muitos professores administram grupos e já na sala de aula pedem o número dos alunos. O aplicativo ainda exige certa organização por parte do usuário, já que a dinâmica de conversação sem interrupções pode ser intensa e algumas informações podem não ser vistas por todos e o aprendizado é prejudicado.

Além do estudo
Mais que enriquecer os estudos para concurso, as redes sociais também estão sendo usadas para incentivar os candidatos a não desanimar com a rotina de preparação. O professor Vincenzo Papariello relata que nos grupos, em especial no Whatsapp, cria-se um elo de amizade, no qual as pessoas se aproximam, se conhecem mais e tendem a se ajudar mutuamente. “Os integrantes dos grupos mais ativos constroem um relacionamento. Quando o grupo é sério, todos se ajudam”, diz.

Mas é preciso cuidado. Por serem redes sociais, onde a comunicação flui rapidamente, a dispersão pode tirar o foco dos estudos. Segundo Papariello, é preciso saber o momento certo para o uso das ferramentas e delimitar o tempo para estudo e para distração é essencial. “A tecnologia está aí para ser aproveitada pelas pessoas. Elas facilitam a vida do candidato. Mas todos devem saber usá-las. Se usada de maneira certa surtirá benefícios, caso contrário será um problema”, aconselhou o especialista.

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