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Seleção para oficiais dos Bombeiros/DF é elitista, defende especialista

Cobrar inglês para ingresso na corporação privilegiaria candidatos com maior poder aquisitivo e seria desnecessário para as funções cotidianas do cargo

13/07/2016 14:11 | Atualização: 13/07/2016 14:18

Lorena Pacheco

Policia Rodoviária Federal/Divulgação
As provas para oficiais do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal vão cobrar conhecimentos básicos em inglês dos candidatos no próximo 9 de outubro. Como na seleção de 2011, serão 10 questões, com peso um, que avaliarão basicamente a compreensão semântica e gramatical de textos escritos. Porém, de acordo com Max Kolbe, advogado especialista em concursos e membro da Comissão de Fiscalização de Concursos Públicos da OAB/DF, exigir o domínio do inglês é desnecessário ante as atribuições cotidianas do cargo e ainda elitista, pois beneficiaria apenas concorrentes que tiveram acesso à língua estrangeira, ainda limitado no país*.

O especialista vai além ao afirmar que cobrar a disciplina favoreceria a discriminação não apenas entre aqueles que tiveram ou não acesso a um ensino de inglês de qualidade, mas também entre os cargos a serem exercidos. “Segundo o regulamento do concurso, quem não domina outro idioma deve se sujeitar a concorrer apenas a cargos de soldado, com função auxiliar e salário menor, e somente aqueles que tiveram a oportunidade de estudar inglês podem concorrer a cargos superiores de oficiais”, defende Kolbe - estão em jogo 159 vagas para oficiais em cargos como bombeiro combatente (qualquer formação superior), médico, farmacêutico e engenheiro, com salários de até R$ 11.654,95. Já o posto de praça dispõe de 620 vagas para candidatos com qualquer curso de nível superior, com salários de até R$ 6.338,87. Veja os editais.

Outro ponto defendido por Kolbe é que, ao contrário do CBM/DF, o domínio da língua inglesa não é exigido para outros cargos de carreira policial ou militar como agente e delegado da Polícia Federal, perito e delegado da Polícia Civil do DF e nos concursos do Exército e Marinha (esta até admite diploma de formação em língua estrangeira, mas somente em algumas provas de títulos sem caráter excludente) – diferentemente da Aeronáutica e Polícia Militar do DF, que cobram a disciplinas em seus concursos.

Mas, de acordo com Alan Alexandre Araújo, comandante do Centro de Comunicação Social do CBM/DF, as provas para ingresso no quadro de Oficiais exigem a avaliação de língua estrangeira, pois os oficiais são, na hierarquia militar, os responsáveis, desde o inicio de sua carreira, pela gestão e organização da estrutura da corporação. “Os oficiais são responsáveis por gerir recursos, que em um mundo globalizado, geralmente os contatos, manuais e ate vídeos, são em inglês. Ainda quando em viagens ao exterior, são os oficiais os chefes de delegações e representantes responsáveis por conduzir grupos de militares e interagir com autoridades estrangeiras, além de recepcionar e por vezes tratar de assuntos específicos de nossa profissão com representantes de outras nações e ainda ministrar palestras e aulas a estes”. O uso do inglês também seria bem-vindo em situações pontuais como nos Jogos Olímpicos de agosto.

Leia também: Especialista recomenda impugnação de edital dos Bombeiros do DF

Mesmo assim, para o especialista, o quantitativo de oficiais que utilizarão o inglês é mínimo e não justifica que todos saibam falar a língua estrangeira. “Se considera importante, a própria Administração poderia proporcionar meios de capacitação do servidor já dentro da corporação militar, com uma licença para capacitação já prevista em lei”.

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* Segundo a última pesquisa, divulgada em 2015, da empresa de educação internacional Education First (EF), que avalia a proficiência mundial da língua inglesa, o Brasil aparece na 41º posição entre 70 países. O quadro brasileiro apresentou regresso em relação aos dois últimos, quando o país aparecia em 38º lugar. A empresa mede a compreensão gramatical, o vocabulário e o domínio de leitura de adultos e, entre as classificações “muito alta”, “alta”, “moderada”, “baixa” e “muito baixa”, o Brasil aparece na categoria de proficiência baixa, com 51,05 pontos.


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