Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Candidatos fogem da concorrência acirrada de Brasília e buscam vaga em outros estados

Excursões lotadas com concurseiros brasilienses saem sempre quando um bom edital é lançado

14/07/2015 12:06 | Atualização: 14/07/2015 14:21

Lorena Pacheco

Caio Gomez/CB/D.A Press
Dentre as características que moldam a personalidade de Brasília, como clima seco e arquitetura modernista, o concurso público está entre as mais simbólicas. O título de capital dos concursos não é mero rótulo. Bons salários, maior número de vagas, status e estabilidade são atrativos do funcionalismo local que seduzem candidatos de todo país. Apesar disso, há aqueles que, mesmo aqui, não conseguem conquistar o cargo perfeito e vão contra esse fluxo. A solução é se aventurar pelo Brasil fazendo provas nos mais diferentes estados.

A prática vem crescendo em número de adeptos. Segundo José Raimundo Silva, representante de uma empresa de transporte especializada em levar candidatos de Brasília e Goiânia para fazer provas país afora, basta sair um edital que a viagem é certa e cheia. “Em 12 anos já levamos mais de 100 mil concurseiros para todas as capitais. A procura pelo serviço é tão alta que vem gente de outros estados às nossas sedes para depois partirmos em nova viagem aos locais de prova”.

A próxima jornada já está marcada. Dez ônibus lotados seguirão para Belo Horizonte em 26 de setembro para os exames do Tribunal Regional do Trabalho. O pacote de viagem varia de acordo com a distância a ser percorrida, neste caso o valor ficou em R$ 450 e inclui transporte, hospedagem com café da manhã (servido mais cedo, para não perder a hora da prova) e traslado para o local dos testes.

Segundo Raimundo, o estado mineiro é o destino líder de excursões, seguido por São Paulo, Mato Grosso e Paraná, e os concursos mais realizados são para tribunais. “Há muita reincidência de concurseiros viajantes que focam em uma carreira e saem viajando pelo país em busca da classificação. Tem gente que consegue cinco aprovações, mas continua tentando algo melhor até ser chamado para posse. É um trabalho gratificante, já que a aprovação dos candidatos também faz parte do nosso pagamento”.

De fato, a especialização em carreiras ou cargos é a principal variável que explica a procura dos concurseiros brasilienses por vagas além do Distrito Federal. Segundo o coach da VP Concursos Vincenzo Papariello, “muitos querem ser analista de tribunal, por exemplo, e cruzam o país em busca de uma vaga em cortes judiciais, eleitorais ou trabalhistas, e dessa forma aumentam suas chances se competem em mais seleções”.

O especialista também acredita que a concorrência especializada de Brasília pode afugentar muitos candidatos. “Aqui existe uma cultura do concurso porque é a sede do governo federal, assim, com mais vagas, as pessoas se inscrevem mais nos processos seletivos, sem falar que temos recursos avançados em termos de preparação, como cursos especializados. Algumas cidades estão começando a mudar nesse sentido, como Rio de Janeiro, Recife e Belo Horizonte, mas Brasília ainda lidera”.

Com sete cidades percorridas no mapa da aprovação, Camila Wendt, praça da Polícia Militar que quer passar para área jurídica, concorda com o especialista. Para ela, há muito mais chance de passar fora do que dentro de Brasília. “Aqui todo mundo vive estudando, diferente da concorrência nos outros estados. No Espírito Santo, por exemplo, conversei com alguns candidatos do TRT e eles me disseram que não se preparavam para a prova. A nota de corte foi mínima, enquanto em Brasília é preciso quase gabaritar”. Depois de fazer prova no Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Goiás, Alagoas e Acre, a concurseira acabou se classificando no TRT potiguar e hoje aguarda convocação para tomar posse.

No caso de Antônio Márcio Pinto, agente administrativo e concurseiro de Luziânia (GO), todos esses fatores foram decisivos para que ele optasse por concorrer em concursos de fora: foco na carreira de analista da Justiça do Trabalho, salário melhor por ser um cargo de nível superior, e fuga da concorrência disputada de Brasília. Como candidato viajante, ele já fez prova no Pará, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Pernambuco (terra natal, que deixou para se formar em direito em Brasília). E, mesmo sem conseguir uma classificação dentro do número de vagas até agora, Antonio recomenda que o brasiliense busque sua aprovação não importa onde. “A distância não é problema, o que vale é a aprovação. No mais, como são concursos de órgãos federais, depois da posse tem como fazer permuta de servidor, basta achar alguém disposto a mudar de lotação e você volta pra casa”.

Se você está disposto a tentar, confira abaixo lista com concursos que valem a distância:

Tribunal de Justiça de Rondônia: salários até R$ 5,2 mil

TRT do Mato Grosso: salário de R$ 27 mil

Companhia de Gás do Mato Grosso do Sul: salários até R$ 6,4 mil


Conselho de Farmácia de Tocantins: salário até R$ 4,9 mil

Defensoria do Maranhão: salário de R$ 23.937,19

Companhia Docas da Paraíba: salário até R$ 6,6 mil

Corpo de Bombeiros Militar/AC: salário até R$ 3,7 mil

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