Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Sorte de principiante? Descubra o que levou concurseiros a passarem de primeira

09/05/2016 09:00 | Atualização: 09/05/2016 17:06

Do CorreioWeb

Quando se fala sobre a preparação para concursos, os relatos são de que anos foram dedicados até que a aprovação chegasse. Mas você já conheceu alguém que decidiu prestar concurso e foi aprovado logo na primeira tentativa? Sorte de principiante ou não, alguns deles nos disseram que combinaram esforço e organização, mas quase sempre com uma pitada do destino. Confira abaixo os depoimentos inspiradores e acredite que você também pode conseguir a façanha.

Arquivo pessoal
Deus ajuda quem ajuda os outros

Julio Cesar Salustino ficou desempregado em 2005 e decidiu apostar pela primeira vez nos concursos públicos. Como o amigo que ele havia convidado pra acompanhá-lo nos estudos não pôde manter os custos de um curso preparatório, ele decidiu compartilhar o que aprendia. “Na época eu recebia somente seguro desemprego, mas continuei estudando, e quando chegava do cursinho ensinava a ele tudo o que havia aprendido”. O resultado foi a aprovação dos ambos para a Polícia Militar do Rio de Janeiro.

Depois da conquista, Julio César repetiu a experiência. Ele voltou a estudar para outro concurso e a ajudar outros amigos que também foram aprovados, dessa vez no Exército. No terceiro concurso que prestou ele perdeu os pais para o câncer, mas afirma que mesmo assim continuou perseverando nos estudos. “Não me deixei abater pelas dificuldades pessoais. Acompanhei meus pais em todos os momentos, mas não deixei de estudar. Prometi a mim mesmo que passaria em nome dos dois”.

Atualmente Júlio é formado em matemática, trabalha como policial civil, é professor em três cursos preparatórios para concursos e atualiza um canal no Youtube. Ele acredita que conseguiu conquistar as aprovações por ter usado o ensino como forma de aprender. “Ensinar foi o melhor método que eu pude usar para meu aprendizado. Afinal, eu estudava em dobro e ainda ajudava outras pessoas”.

Hoje ele tem 34 anos e, após 11 anos da primeira aprovação, considera que não contou somente com a sorte. “Acredito que minha técnica tenha sido aliada à sorte. Fiz de tudo para passar, mas o fato é que, dentre as disciplinas que me empenhei, todas caíram na prova. Essa foi minha sorte, foi cobrado justamente o que estudei”.

Arquivo pessoal
“Sim, posso passar estudando sozinha”

Logo de cara, a jornalista Maíra Gomes passou na primeira tentativa para a seleção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2006. Eram apenas duas as vagas disponíveis, para o cargo de agente censitário. Ela estudou por conta própria durante cerca de quatro meses dedicando mais atenção às disciplinas em que tinha mais dificuldade e fazendo resumos para absorver melhor o conteúdo. O fato de ter feito um concurso que era pra uma cidade pequena e não para uma capital foi uma vantagem segundo a concurseira.

Maíra foi chamada, mas não chegou a trabalhar na área em que prestou o concurso. “Fui chamada, mas não cheguei a trabalhar porque tinha acabado de ter meu filho, que estava com apenas 15 dias de nascido. Optei por desistir da vaga e não sacrificar a amamentação dele. Foi uma ótima oportunidade para que eu tivesse a percepção de que consigo passar estudando sozinha”.

Escada de aprovações
Priscila Torres estuda administração e trabalha como carteira. Sem nunca ter estudado para concursos, ela passou na seleção da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Correios) para agente e diz que seu diferencial foi a tranquilidade que mostrou na hora da prova. “Eu tinha um horário bem distribuído de preparação para a prova, sendo sempre atualizado conforme imprevistos. Tenho facilidade com estratégias de estudo”. Ela diz que quando passou na seleção, a vontade que teve foi de compartilhar o que aprendeu e hoje doa o material que tem para outras pessoas. Atualmente, Priscila estuda para o concurso da Polícia Militar de Pernambuco e faz planos para o futuro. “Se Deus permitir, quando eu passar e assumir o cargo da PM, vou me dedicar aos concursos de tribunais e ministérios e a fazer mestrado para no futuro poder concorrer ao cargo de professora de universidade, que é meu verdadeiro sonho”.

Arquivo pessoal
Passar para sonhar mais alto

Amanda Lopes, 25 anos, formada em ciências contábeis, passou para a guarda municipal da Prefeitura de Fortaleza no primeiro concurso que prestou, quando tinha 23. Para ela, o mais importante durante a preparação para a prova é a qualidade das horas de estudo e não somente a quantidade. “Estudei sozinha por dois meses e, em geral, dava menos atenção para disciplinas em que tinha uma boa base de conhecimento. Também fiz um cursinho só de exercícios. Lembro que me senti realizada quando descobri que fui aprovada”.

Nada de sorte de principiante, Amanda afirma que a preparação e ajuda divina foram seu aliados. “Não acredito na sorte. Acho que a base de conhecimento que fui construindo ao longo da vida foi o meu diferencial, o que fez com que eu passasse. Mas no dia da prova pedi muito a Deus para me ajudar”. Conquistar a vaga logo de primeira fez Amanda ter energia para continuar buscando outras oportunidades. Atualmente ela estuda para concursos da Secretaria da Fazenda e da Receita Federal.

Arquivo pessoal
Dez concursos vencidos

Gustavo Nogueira de Sá, assistente de desembargador do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, iniciou sua trajetória pelo mundo dos concursos com a aprovação no primeiro que fez, para o cargo de oficial de promotoria do Ministério Público de São Paulo em 2006. Ao todo, Gustavo passou em dez concursos. Seu método de estudo envolveu a leitura repetida do texto legal, mais conhecida como "lei seca", a leitura de uma apostila de conhecimentos específicos orientada pelo conteúdo programático da prova e a atenção às disciplinas de maior peso.

Formado em direito, Gustavo decidiu criar o aplicativo Peso 2 Concursos que oferece o mesmo método de estudos que usou para ser aprovado. “A idéia do desenvolvimento do aplicativo surgiu da minha experiência em querer auxiliar minha esposa. Após cerca de um ano estudando em cursinho preparatório para tribunais do trabalho, ela se sentia frustrada após tanto esforço nos estudos e não conseguir obter a pontuação necessária nas provas. E então fiz para ela a seguinte proposta: deixar de assistir as aulas dos cursinhos e tentar fazer da mesma forma que eu sempre fiz na preparação para as próximas provas”. A idéia dele rendeu a aprovação da esposa e o lançamento do aplicativo, também baseado na necessidade que tinha em estudar por smartphone, por facilitar o manuseio do material que no formato físico era inviável de se carregar. Atualmente mantém a conta no Youtube chamada Bitolei! e o site Melhores Cursinhos são outros conteúdos que Gustavo e a esposa gerenciam.

Hoje, com 30 anos, ele relembra a conquista e conta que o esforço foi maior que tudo. “Acho que a sorte é natural, mas com ou sem ela eu passaria porque estava preparado. A sorte só influenciou em uma ou outra questão que acertei. A pior parte mesmo é a espera. Assim, eu comecei a maratona e continuei estudando para outros concursos para controlar um pouco essa pressão que é o período de espera do resultado”.

Arquivo pessoal
“Nada de teste”

O assistente em administração Manoel Carlos, garantiu sua primeira vaga em um concurso público na Universidade Federal Fluminense, no cargo de auxiliar de administração. Manoel afirma que a instabilidade de seu emprego numa empresa privada o fez pedir demissão. “No meu último ano de emprego comecei a juntar dinheiro já com o objetivo de pedir demissão. Queria estabilidade. Recebi muitas críticas, principalmente da família. Achavam que eu era doido de largar o emprego e que eu ia viver às custas da minha esposa”.

Um mês após a demissão, ele se deparou com o lançamento do edital e seu primeiro passo antes de decidir estudar foi ver vídeos com depoimentos de aprovados para coletar dicas. Sua preparação era de oito a 12 horas por dia com a dedicação inicial de 80% do tempo em teoria e 20% em exercícios, ordem que depois foi trocada.

“É uma grande satisfação. O que eu vejo é que muitos candidatos, até com potencial, vão prestar o primeiro concurso com o pensamento de fazer para testar. Para mim, o concurseiro deveria começar a estudar pensando: ‘Vou fazer para passar’. Se não conseguir, paciência e experiência. Uma hora, com muito foco e persistência, a aprovação com certeza chega”. Sobre o dia da prova, ele conta que a superstição ficou de fora e que a aprovação tem razões que vão além do simples acaso. “Não sou supersticioso. Sou focado e otimista. Acredito que ninguém passa em concurso unicamente por sorte. Tem que estudar e se dedicar muito aos estudos. Passar em um concurso só pela sorte, ‘chutando’, não acredito ser possível”.



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