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Marido cria método para ajudar esposa a passar em concurso

A ideia rendeu bons frutos e hoje os dois ajudam outros concurseiros. Atualmente eles administram um site, um aplicativo e até um canal do Youtube

24/06/2016 14:44

Do CorreioWeb

Arquivo pessoal
Foi assim, um encontro casual. Gustavo Nogueira e Natasha Rocha se conheceram há 11 anos em um barzinho em Mogi das Cruzes, em São Paulo. Muito novos, eles não planejavam muito no início. Moravam com os pais e pensavam em poder viajar juntos, terminar a faculdade e juntar dinheiro para só depois casar. Após quase cinco anos de namoro, em 2009, eles decidiram morar juntos e em 29 de setembro de 2011, mesma data do aniversário de namoro, veio o casamento.

Hoje Gustavo tem 30 anos e Natasha, 28. E, para manter a união que têm hoje, eles tiveram que enfrentar certos apuros. Em 2006, ele estava começando a fazer a faculdade de jornalismo e ela estava prestes a entrar na faculdade de administração. Depois de seis meses de curso, Gustavo decidiu tomar um caminho diferente: o do direito. A decisão veio após perceber em entrevistas de estágio que outros candidatos passavam a frente por ter indicação. A faculdade era cara e ele que só conseguiria uma renda melhor depois de formado. Para Gustavo, o curso de direito era a melhor opção, pois as possibilidades em concursos eram maiores. “Nesse momento, decidi fazer concursos, para não depender de ninguém. No mundo dos concursos para ter sucesso só dependeria do meu próprio esforço, e não da influência outra pessoa”, acreditou.

No início, Natasha nem pensava em seguir a mesma trajetória que o marido. Ela começou como estagiária em multinacionais do setor farmacêutico. Mas faltando apenas um ano de concluir a faculdade ela descobriu que estava esperando o primeiro filho e foi demitida quando o bebê nasceu. Gustavo também ainda estava na faculdade, mas já havia passado no seu primeiro concurso, para oficial de promotoria do Ministério Público de São Paulo e aguardava ser nomeado em outro, para técnico judiciário no Tribunal Regional do Trabalho do estado. Enquanto aguardava a convocação, as contas foram se acumulando. O parto teve que ser pago à vista, com empréstimo. Na faculdade, precisaram negociar as dívidas.

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Após ter o filho, Natasha resolveu se unir ao marido nos estudos para concursos. A instabilidade na área que escolheu foi razão para repensar seus objetivos. “Reestruturações internas e externas, mudanças de região de atendimento, e também ser mãe foram alguns dos fatos pelos quais fui desligada. E todo ano era o mesmo desafio, sair fazendo inúmeras entrevistas e sem nenhum feedback sequer, nem mesmo negativo às vezes. Eu cansei e decidi que queria estabilidade, uma vida tranquila que pudesse realmente me planejar para o futuro”, relata. O marido confirma que as adversidades se tornaram motivação. “Depois que o nosso filho nasceu e as coisas começaram se complicar, isso me motivou ainda mais a estudar e conseguir ser aprovado em cargos melhores rapidamente”.

Mas o futuro promissor que Natasha imaginou não veio tão cedo e ela se viu novamente frustrada. Natasha se esforçava, mas não conseguia alcançar a pontuação necessária nas provas. Foi aí que o marido propôs que ela deixasse o cursinho preparatório e passasse a estudar somente com a ajuda dele. Ela aceitou e a ideia deu certo.

Gustavo adaptou o conteúdo relacionado à disciplina de direito em uma plataforma virtual, cheio de comentários, dicas, macetes e frases de memorização para a esposa. “A maior dica que dei para ela foi seguir o edital e o perfil da banca à risca. Um exemplo é que se a prova era mais voltada para os textos legais, ela teria que priorizar a leitura da “lei seca” no maior número de vezes. Também dei alguns macetes como o uso da sigla LIMPE, para lembrar dos princípios da administração pública (Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência) e COPAS, para memorizar os requisitos do vínculo de emprego (Continuidade, Onerosidade, Pessoalidade, Alteridade e Subordinação jurídica). Criei também a sentença ‘Como ficar Fortão? Óbvio: Musculação’, que era usada para lembrar dos requisitos do ato administrativo (Competência, Forma, Finalidade, Objeto e Motivo)”.

Após adotar o método do marido, Natasha passou em dois concursos e hoje aguarda nomeação para dois tribunais regionais do trabalho, da 2ª e 15ª regiões, ambos no cargo de técnico judiciário. Gustavo atualmente é analista judiciário no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, em São Paulo, tendo passado também em outros nove concursos.

A parceria além do matrimônio deu tão certo que hoje os dois dividem suas experiências com outros concurseiros. Natasha ganhou tanta confiança que mantém o canal chamado Bitolei! no Youtube, com dicas para quem já passou pela mesma situação e continua estudando para concursos. Já Gustavo, após ver que seus métodos funcionaram com a esposa, decidiu criar um aplicativo com a ajuda de um amigo, o Peso 2 concursos, para facilitar a vida de outros concurseiros. Ele ainda administra o site Melhores Cursinhos e escreve um ebook.

Sem jamais imaginar que seguiriam o mesmo rumo até no campo profissional, eles afirmam que a contribuição que levam para os outros concurseiros vai além do conteúdo. “Percebemos que poderíamos ajudar pessoas que tinham os mesmos interesses que nós de várias outras formas, e não somente com o conteúdo de estudo. No canal, tratamos de todos aspectos que envolvem o mundo dos concursos: motivação, frustração, como lidar com a cobrança da família por resultados e dicas de viagens para as provas”, afirma Gustavo.

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O foco nos estudos não atrapalhou a relação do casal, que se acostumou ao dia a dia sempre produtivo. Gustavo conta como lida com os obstáculos trazidos pela intensa rotina de estudos da esposa. “Muitas vezes deixamos de fazer coisas comuns, como cinema, sair para uma balada ou até mesmo jantar fora por conta do compromisso com alguma prova ou estudo. Mas como já passei por isso e sei na pele o que é fazer essa escolha, consigo ser bastante compreensivo. Mas o domingo é nosso, da família, o que é essencial para ela se manter ativa nos estudos e ainda conseguimos um tempinho para curtir.”

E parece mesmo que os concursos chegaram para ficar na família. O filho Pedro, de sete anos, já esboça vontade em seguir o mesmo caminho que os pais. “Ele presencia muito minha dedicação e rotina de estudo para concursos. Com certeza daríamos todo o apoio se ele optasse pelo mesmo caminho. Acredito que ele tem em casa bons exemplos para motivá-lo a estudar. Pedro já demonstra grande preocupação com as notas da escola e tem muita disposição para o preparo intelectual. Este é com certeza o caminho mais seguro e estável para conseguir uma carreira e garantir uma renda muito boa”, aconselha Natasha.

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