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300 vagas para a Abin: especialista revela quais disciplinas deverão ter mais atenção

Deve sair até janeiro o edital para o processo seletivo. O mais recente, em 2010, teve 615 candidatos por oportunidade

31/07/2017 09:12 | Atualização: 31/07/2017 09:26

Lorena Pacheco / Camila Bairros*/

Minervino Junior/CB/D.A Press
Freitas recomenda dedicação especial à geografia e à legislação específica
Os concurseiros estão em polvorosa. E não é para menos. Desde que o Ministério do Planejamento autorizou o lançamento do novo concurso público de nível médio e superior para a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), no dia 17, é difícil conter a ansiedade pelo edital de abertura. Serão oferecidas 300 vagas, sendo 220 para oficiais; 60, para oficiais técnicos; e 20, para agentes de inteligência.

De acordo com a tabela de remuneração dos servidores da União, oficiais recebem salário inicial de R$ 16.620,46; oficiais técnicos, de R$ 15.312,74; e agentes, de R$ 6.302,23. O regulamento da seleção será publicado em até seis meses, ou seja, até janeiro de 2018. Segundo o órgão, está em andamento o processo de escolha da banca examinadora. A perspectiva é de preenchimento das vagas durante o próximo ano.

Cezanne Autran, 37 anos, é um dos interessados em conquistar uma das vagas. Ele trabalha como policial civil, em Fortaleza, e estuda para o processo seletivo da Abin há sete anos. “Pretendo conquistar uma vaga de oficial de inteligência. Escolhi essa carreira porque gosto muito de trabalhar com informação, tenho facilidade para encontrar dados”, declara.

Quando está de folga, Autran costuma passar oito horas por dia se preparando, com um esquema próprio de aprendizado. “Todo dia estudo no mínimo duas disciplinas diferentes. Por exemplo, legislação de inteligência e informática. Assim, a cada semana, eu cubro todas as matérias. A única disciplina a que me dedico todos os dias é atualidades. É importante manter essa disciplina em dia, pois, de acordo com editais passados, ela tem um peso grande na prova discursiva”, conta o policial.

Além de candidato, ele é administrador de uma página no Facebook sobre o certame da Abin, que hoje conta com mais de 16,5 mil membros. “Existem pessoas muito bem preparadas para esse concurso, mas acredito que sejam poucos. Como já faz dez anos que saiu o último edital, muitas pessoas, no decorrer desse tempo, desacreditaram da aprovação de um novo processo seletivo e deixaram os estudos pra lá. Poucos se mantiveram firmes, como eu. A maioria dos concorrentes ainda deixa pra começar a estudar quando sai o edital ou a autorização. Mesmo para aqueles que estão preparados, porém, vai ser um páreo bastante duro”, avalia.

Mudar a mente

Outro policial civil, Janderson Domarco Mendes, 30 anos, morador de Guarulhos (SP), estuda para a Abin há sete anos. Ele afirma que estudar português é o mais importante, porque é a disciplina que deverá ter o maior número de questões na prova. “Passar em concurso vai além de estudar livros, apostilas e frequentar um cursinho. É preciso mudar a mente. Ler jornais, revistas e acompanhar o noticiário. Resumindo, construir um conhecimento crítico e lógico, evitar simplesmente memorizar conteúdos”, recomenda.

O escriturário Ramel Costa, 24 anos, de Tailândia (PA), estuda há apenas seis meses. Mas acha que, como as provas devem ser aplicadas somente no fim do ano, é tempo mais que suficiente para ser aprovado. Ele já passou em dois concursos, para a Caixa Econômica e para o Banco do Brasil, estudando apenas por 45 dias. “Minha rotina de estudos é bem reduzida, porque, assim como a maioria dos concurseiros, preciso conciliar trabalho e estudos. Dedico-me em média três horas por dia à seleção, sempre com rotina de revezamento de matérias. Tento encaixar uma por semana, assim reviso semanalmente todo o conteúdo. Faço minha rotina de estudo de acordo com meu desempenho e meu tempo, acho mais prático”, afirma.

A concorrência deverá ser significativa. Na última seleção, lançada em 2010, quase 50 mil candidatos se inscreveram a apenas 80 vagas. Ou seja, a concorrência média geral foi de nada menos que 615 candidatos por oportunidade oferecida. A Agência anunciou que, além da avaliação escrita, o concurso contará com investigação social, avaliação médica e psicológica, prova de capacidade física (para alguns cargos) e aprovação no Curso de Formação em Inteligência (CFI). E, se o novo certame seguir a mesma estrutura do anterior, haverá exames objetivos e discursivos para cargos de níveis médio e superior.

Quanto à banca, há grandes chances de que a Abin opte novamente pelo Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe), que organizou todas as seleções da agência, em 2004, 2008 e 2010. Mas é bom também exercitar questões da Fundação Carlos Chagas, visto que a organizadora foi escolhida recentemente para aplicar avaliação de concursos grandes, como o da Câmara Legislativa do Distrito Federal e o do Tribunal Superior do Trabalho.

Segundo Estevam de Freitas, professor de legislação de inteligência para o concurso da Abin há 18 anos, quem almeja a aprovação precisa correr com os estudos já. “Acho que a prova deve ser aplicada daqui a uns nove meses. Isso não é muito tempo”, nota.

Freitas lembra que a autorização de vagas foi aquém do esperado. Foram solicitadas pela Abin mais de 700 posições ao Ministério do Planejamento. “Quem quer passar tem que se dedicar especialmente aos conteúdos de geografia e legislação de inteligência, principalmente para o cargo de oficial. Baseando-se no último concurso, organizado pelo Cebraspe, foram 12 normas ligadas à legislação de inteligência. Apesar disso, o candidato não deve deixar as matérias de língua portuguesa, direito administrativo e penal de lado, que são matérias mais básicas de todos os concursos”.





Vocação

O que chama a atenção no concurso da Abin é a carreira. Serviço secreto, investigação, combate ao terrorismo, à espionagem, à sabotagem e a ameaças ao território nacional. Parece até roteiro de filme de ação! Devido ao caráter sigiloso de suas atividades, a Abin, que tem sede em Brasília e superintendência em todas as capitais brasileiras, não é aberta a visitas. Nem sequer o nome dos candidatos inscritos nas seleções é de domínio público.

Não pense, porém, que, se entrar para o órgão, você vai aprender artes marciais ou receber mensagens que se autodestróem em poucos segundos. O que os funcionários da Abin fazem com maior frequência são relatórios. Eles são necessários para fornecer ao presidente da República e a ministros informações e análises estratégicas necessárias ao processo de decisão. Tudo segue os preceitos da legislação brasileira.

Por isso é necessário que os profissionais da agência atendam a requisitos comuns a um profissional de inteligência: ter objetividade, imparcialidade, disciplina, sociabilidade, capacidade de adaptação, lealdade, discrição e mobilidade. Entre outras atividades, ele pode trabalhar com áreas prioritárias para a Abin, como a segurança das fronteiras, migrações, meio ambiente, lavagem de dinheiro e a não proliferação de armas de destruição em massa.

Segundo a Abin, o profissional de Inteligência poderá atuar em diversas áreas da Agência. Após ingressar, a lotação do servidor é feita com base em critérios que levam em conta a colocação no concurso público, as competências técnicas, as habilidades profissionais e as aptidões pessoais. Oficiais e agentes de Inteligência vão a campo para buscar dados não disponíveis em fontes comuns de informação. Questões geopolíticas, ameaças terroristas, espionagem estrangeira e avaliações de risco são temas do cotidiano desses profissionais. Já os oficiais e agentes técnicos ficam com a parte administrativa da Agência e o apoio às ações de inteligência.


* Estagiária sob supervisão de Paulo Silva Pinto

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